A relação professor aluno e o método de ensino

por Sérgio Porfírio | Publicado em 17 de novembro 2020

O título deste texto já nos apresenta um desafio: pensar a forma de ensinar como método talvez requeira uma ressignificação. Para além do método de ensino, discutir a proposta de uma escola com princípios construtivistas requer uma reflexão acerca da relação entre professor e aluno, aluno e sujeito, criatividade, protagonismo e transformação. Nessa proposta, desde a educação infantil, passando pelo ensino fundamental e chegando ao ensino médio, a sala de aula precisa ser desafiadora, colaborativa e principalmente um espaço onde os sujeitos possam aparecer. Nesta perspectiva, a relação dos professores deve necessariamente ser de aposta nos alunos e na interface deles com o mundo. Sujeitos crianças e adolescentes frente a frente com a possibilidade de construir conhecimento para a transformação do mundo em um momento delicado da vida.

Em 1891, o dramaturgo alemão, Frank Wedekind, escreveu a polêmica peça o “Despertar da Primavera”, cujo tema central é a passagem da infância para a adolescência; o despertar do corpo, das relações e de toda a inquietude que marca essa transição difícil para a maioria das pessoas. Mais de um século corrido, o texto da peça mantém sua contemporaneidade.

A insegurança advinda da transformação da vida infantil em adulta promove uma busca incessante por orientação por parte do jovem que, fragilizado e ansioso por um ideal, tende a criar laços com qualquer oferta que prometa eliminar sua angústia ou qualquer direcionamento nessa nova fase. É nesse contexto que surge  uma oportunidade para professores e professoras construírem caminhos para que o laço seja feito com o saber.

Apesar da tentativa de muitos profissionais de delimitarem em anos as fases da vida – infância, adolescência e vida adulta -, cada indivíduo acorda do seu inverno em um momento diferente. Por isso, é muito importante que ele seja entendido em sua particularidade e em seu tempo, e o “método de ensino” de uma escola deve atentar-se a isso.

Outra questão que merece atenção é a da esperança! Precisamos falar de coisas boas com nossas crianças e adolescentes, falar de um futuro promissor. Ainda que as recentes contendas políticas, econômicas e éticas venham desencadeando uma onda de desencanto na forma de perceber o mundo, é necessário resgatar a energia e a esperança para possibilitar a essa nova geração uma formação com boas perspectivas de futuro. A educação deve ser de ordem otimista. Precisamos deixar de fazer uma leitura menos imediatista e negativa de assuntos atuais, apostando na ideia de que a grande possibilidade de mudança está nas mãos dos nossos alunos e alunas. Se forem definidos como protagonistas do futuro, se se sentirem como parte do jogo da vida real, cada um – a seu modo – se sentirá mais desafiado e instigado a atuar na busca de ideais possíveis. Essa é a relação que precisa prevalecer em um ambiente de ensino/aprendizagem.

A despeito de todas as discussões atuais, nunca tivemos crianças tão ativas, conscientes, abertas ao diferente e que, bem orientadas, construirão uma sociedade mais próspera e justa. Precisamos apostar nessa juventude, oferecendo propostas que instiguem e que possibilitem a formação de alunos/cidadãos ativos e éticos, sempre respeitando as características individuais, potencializando suas ideias e reconhecendo seus saberes.

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