Menos dualidade, mais abertura, trocas e possibilidades

por Sérgio Porfírio | Publicado em 12 de fevereiro de 2021

Desde criança somos convocados a fazer escolhas, somos convocados a torcer por um time, a ter predileção por cor, comida, roupa, etc. Enfim, escolhas são uma via de regra na vida de todos nós. Na verdade, o difícil não é escolher, mas sim dar conta do que elegemos, afinal muitas das nossas escolhas são garantidas pela negação daquilo que não escolhemos. 

O momento delicado enfrentado por todos requer um cuidado muito grande com a dualidade, não podemos garantir nossas escolhas apenas pela negação ou por ser contra ou a favor, mas por identificarmo-nos por meio de um ideal muito mais amplo.

A discussão acerca da abertura ou não de escolas é um grande exemplo. Difícil encontrar uma ponderação entre os que defendem as escolas fechadas e os que defendem sua abertura. Quanto à importância da escola na vida das crianças e jovens, há pouca divergência, porém as questões políticas talvez tenham criado um distanciamento entre  opiniões divergentes, de modo que posicionamentos diferentes se rivalizam entre abertura ou não das escolas. Essa dualidade tem afastado as pessoas do pensamento crítico, potencializando assim o campo da fantasia, no qual o bem e o mal acabam por cumprir seu papel polarizador. Entretanto, sabemos que, sob a luz do discernimento, o caminho da disputa, claramente, não é o melhor caminho a ser percorrido.

Talvez a reflexão e ponderação possam ser encontradas na própria escola e na ciência, que buscou a vacina e que graduou a possibilidade de contaminação em diferentes espaços e  faixas de idade. Essa mesma ciência descartou a ineficácia de alguns remédios contra o vírus e construiu protocolos de segurança e de saúde para evitar o contágio. Valorizamos, por isso, a ciência, que avança e faz a humanidade avançar! E essa ciência, que luta contra o sombrio, a ignorância e a má fé, tem apontado caminhos para retomadas seguras de diversas atividades.

Por outro lado, educadores têm se desdobrado para elaborar planos de aulas a distância e híbridas, modelos pedagógicos apoiados na tecnologia que tentam abarcar estudantes que estiverem tanto na escola quanto em casa. Estratégias de reposição de conteúdos e de acolhimento emocional para as crianças e jovens que sofreram e ainda sofrem com o distanciamento durante sua fase de crescimento e socialização.

O importante é pensar que a escola aberta não obriga ninguém a frequentá-la ou a mandar seus filhos e filhas, já o contrário, a escola fechada, é compulsório! A escola aberta é uma possibilidade para crianças e adolescentes que estão ansiosos, sofrendo em casa, e para famílias que precisam e querem o retorno. Para os que decidirem não frequentar a escola,  um outro respeito – nenhum avanço no espaço escolar poderá desconsiderar os estudantes que optaram por ficar em suas casas. A tecnologia, a grande aliada da educação na pandemia, veio para ficar e os espaços virtuais continuarão cumprindo o seu papel.

Já no âmbito da escola, nesse momento, sem precedentes do ponto de vista da saúde mundial e das questões políticas que o dominam, surge uma grande oportunidade de discutir com alunos e alunas assuntos referentes à pandemia,  seus efeitos políticos, econômicos e também no comportamento social. Buscamos trabalhar na essência do problema, promover a construção de uma consciência crítica longe da dualidade de posicionamentos, de modo que  o “ a favor” ou “o contra” adquiram uma nova roupagem.  Assim, sob a luz da reflexão, da troca e da soma, poderemos fortalecer os laços humanos e fazer da divergência de ideias uma oportunidade para o crescimento.

Pensando nas famílias, a dualidade e seus entraves são valiosos temas para ampliar o diálogo no ambiente familiar, fazendo com que cada qual em seu papel (seja como pai ou como filho) possa refletir sobre suas escolhas, sobre a aceitação do outro, do diferente. Os posicionamentos contrários não podem aumentar o abismo entre as pessoas, as divergências devem sim fortalecer as relações, unir as diferenças, somar forças.

A escola, berço intelectual da sociedade, não pode ocupar o lugar do senso comum e nem ser objeto dele. O ambiente educacional é espaço de aproximação, troca de ideias, reflexão e construção de um mundo melhor para a humanidade.  A aposta deve estar na escola e na ciência!

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